quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

CARRETERA AUSTRAL

O PARQUE QUEULAT - A partir de Cochrane, subimos a Carretera passando pelo Lago General Carrera. Depois de uma passada em Coyaique, chegamos ao Parque Nacional Queulat. Montanhoso e com vegetação exuberante, possui lindos ventisqueiros (formados por neve nas montanhas) e cachoeiras. Sua grande atração, o Ventisquero Colgante, nos brindou com uma das paisagens mais belas da viagem. Pendurado entre montanhas, forma cachoeiras consideradas das maiores da Patagônia, e rios cujas águas são de um azul incrível. Chegamos ao anoitecer e usamos lanternas pelo curto caminho de mata fechada até o local onde se vislumbra toda essa maravilha. Bom demais!
O PARQUE PUMALÍN - Dormimos em Puyuhuapi, um vilarejo de origem alemã, com termas e uma fábrica de tapetes artesanal que não conseguimos visitar - era domingo e não abriu. Paramos em Chaitén, um pouco maior, onde compramos os bilhetes para o transporte de barco da Caleta Gonzalo a Hornopirén. Continuando pela Carretera, entramos no Parque Pumalín e seguimos até a Caleta Gonzalo, onde pegaríamos o transbordador na manhã seguinte. O Parque, de propriedade de um americano que comprou as terras para conservá-las, é simplesmente maravilhoso! A mata, completamente preservada, tem muitos alerces – a 2ª árvore mais longeva do planeta – há exemplares com até 4.000 anos. O Parque conta com campings, trilhas, cabanas, e um café – tudo de extremo bom gosto e rusticidade.


O GRAN FINALE – Depois de uma noite com muita chuva em cabana e camping da Caleta Gonzalo, pegamos o barco até Hornopirén. A travessia de 5 horas foi bem chata e seguida por outra de 30 minutos, com fila de espera, até La Arena. Mas, depois desses momentos pouco atrativos, fechamos com chave de ouro nosso ciclo “vida selvagem, nada de asfalto”. Decidimos nos desviar um pouco e entrar para conhecer um Lodge de montanha em um parque particular vizinho ao Parque Nacional Alerces Andinos. O guia Turistel dizia que era cercado por alerces milenares e ficamos a fim de conferir essa história. Para nossa surpresa, era uma trilha onde o 4x4 era indispensável – em uma serra, estreita, de pedras, em meio a uma mata fechada cheia de alerces, seguiu subindo por 12 km –, do nível do mar a 800m. Cruzamos com um funcionário do Lodge que nos deu a dica de visitarmos o Tata, um alerce de 4.000 anos.

Foi emocionante conhecer esse venerável ser e ter a clara percepção de nossa impermanência nesse planeta e dos excessos de nossa arrogância...

Fomos super bem recebidos no Alerce Montain Lodge, onde nos mostraram as trilhas, as acomodações e serviram um lanche que chamam de once. O lugar é incrivelmente lindo e exclusivo. Todo mundo queria ficar lá aquela noite, mas a vontade passou rapidinho quando vimos o preço da diária – módicos U$S 250 – por pessoa.

A VOLTA À CIVILIZAÇÃO Os bichos do mato voltaram ao asfalto e à civilização achando tudo muito estranho... dormimos na charmosa cidade de Puerto Varas, às margens do imenso Lago Llanquihue. Pela manhã passeamos e visitamos o vulcão Osorno, cercado pelos vulcões Cabulco e Pontiagudo. Seguimos para Pucón, aos pés do vulcão Villarrica. Faz muito calor, está tudo apinhado de gente, as “praias” de lago estão lotadas, há muitos brasileiros. Havíamos feito uma reserva para o Marcelo e o Gulherme escalarem o Villarrica hoje. Eles foram até a base do vulcão, mas o vento forte levou ao cancelamento da escalada. Ficou para amanhã. Está fazendo um calor enorme. Deu até saudades do frio...

11 comentários:

Anônimo disse...

Nossa, que aventura. Quando me levanto pela manhã é a primeira coisa que faço: ver se tem comentário de vocês. Isso faço também às 10, 11, 12,13hs. etc. Mãe é isso mesmo. Parabéns pela viagem tão sensacional. Hoje, 25. é o casamento de Henrique, eu e Gió estaremos lá. Até breve para poder curtir as fotos. Beijos Mamãe

Anônimo disse...

Oi Maharima, bom dia, mesmo! Pelas descrições recebidas hoje até senti uma pontinha de ciúmes mesmo possuindo a mata atlantica com nossas alerces, mas como disse o poeta: "As aves que aí gorjeiam, não gorjeiam como cá" ha!ha!ha!ha!. Mas ciúmes à parte continue aproveitando e mandando fotos e textos.
Bjos. Popoio end mama.

Anônimo disse...

Oi, Mahima e toda a turma,

suas "saudades do frio" me remeteram, logo, a um jovem poeta que conheci ontem (Bruno B. Soares), compartilho uma de suas produções:
No meio do caminho/De pequeninas saudades/se fazem grandes poemas/que valem nada/se não ajudam a curar/as distâncias/que não se medem em palavras".
Espero poder revisitar também, em breve, o caderninho da Mahima poeta! Bjs e que anova etapa da vida nos traga também boas surpresas, Inês

Anônimo disse...

Ah, esqueci das aspas no começo do poema do Bruno:

"No meio do caminho/De pequeninas saudades/se fazem grandes poemas/que valem nada/se não ajudam a curar/as distâncias/que não se medem em palavras"(Bruno B. Soares).

Nana Kalimeris disse...

Bom, estou como Irismar, vendo as notícias e as aventuras todos os dias, checando sempre, observando, vibrando e viajando com vocês!!! Amei a idéia do blog!!! Saudades do frio? Brasília anda meio doida... calor, sol, calor e, de repente, fecha o tempo e abre o tempo... tenho saudades é do dia que começava cinza e terminava cinza... AFe! Bom, saudades da Dalva tb, claro! Bom, tenho algumas novas, mas, espero a chegada.
besos para todos,
nana

Anônimo disse...

Oi Mahima e adjacências! Já que a Inês também recorreu a lembranças poéticas lá vai um verso de Shakespeare: "Quando ela fala (escreve), parece/Que a voz da brisa se cala;/Tavez um anjo emudece/quando ela fala."
Ou o 3º verso de M. de Assis:
"A custo rompe o sol; a custo invade/ O espaço todo branco; e a luz brilhante/ Fulge através do espeço nevpoeiro,/ Como através de um véu fulge o diamante". Gostou?
Bjs. Popoio end mama!

Anônimo disse...

Meus queridos e inspirados poetas Popoio e Ines,

Adorei os versos. Impressionante como a natureza nos remete ao belo, à poesia... Também nos lembra como somos integrados a algo muito maior e misterioso. Pena ainda nao termos conseguido postar mais fotos. O Tata, aquele alerce de 4 mil anos me emocionou tanto... que lugar! Agora chegamos a Santiago e na segunda embarco para Brasília com a Dalva e os meninos. Ei, Ines, que lindos os versos desse Bruno, heim? É poeta dos bons. Quem sabe, logo me inspiro e volto a compor alguma coisa... E vc, Popoio, sempre me brindando com os imortais. Saudades. Beijos pra voces, pra mamae, pro poeta, pra todos, enfim.
Mahima.

Anônimo disse...

Popoio e Ines,
E por falar em saudade, quer dizer, em poesia, voltei rapidinho para dizer que a programacao de hoje é toda voltada para a poesia. Vamos a Valparaíso e Isla Negra visitar duas das casas de Pablo Neruda e bebericar dessa fonte maravilhosa. Beijos.
Mahima

Anônimo disse...

Ei mae. Bom dia.
Chegamos ontem aa noite a Santiago. Estamos pertinho agora ... bem, os meninos estao bem mais perto ... rs
Estamos com saudades.
Agora iremos a Isla Negra, Valparaiso e Vina del Mar. Certamente colocaremos mais algumas fotos hoje.
E como foi o casamento do primo? Diga que mandei um beijo a eles e que desejo muita felicidade.
E a casa de Piri, como tà? Têm ido la?
Qdo passarmos em um locutorio, telefonaremos. hje ainda.
Beijos pra senhora e pro papai, saudades,

Anônimo disse...

Oi Mahima, bom dia! A alfinetada deponta de ciúmes foi brincaderinha ufanista; tudo por aí é lindo mesmo. Para a volta lá vai o M. de Assis de novo 4º e 5º versos:Vento frio, mas brando, agita as folhas/Das larangeiras úmidas da chuva;/êrma de flores, curva a planta o colo,/E o chão recebe o pranto da viúva./Gêlo não cobre o dorso das montanhas,/As névoas da manhã; já pelos montes/Vão subindo as que encheram todo o vale;/Já se vão descobrindo os horizontes.
Cuidado a ansiedade da volta é perigosa.
Bjs Popoio end mama.

Anônimo disse...

Meu querido Popoio,
Nossa reta final em sido brindada pela poesia graças a vc, Ines e a Pablo Neruda. Visitar as casas dele ontem deixou a todos impressionados por seu talento e seu jeito humano e criativo de ser. Confesso que vivi é um ótimo título para suas memórias. Espero poder dizer o mesmo, sempre... Amanha embarcamos de volta para Brasília. Marcelo e Coutinho seguirao de carro. Ligo assim que chegar. Teremos muitas saudades, de tudo. As lembranças nos acompanharao e servirao de inspiraçao e reconhecimento de algo muito maior do que nós. Beijos para vc e para mamae. Mahima